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Houve um tempo em que eu não achava que podia querer mais. Não porque eu não me achava capaz, mas porque, por muito tempo, aquilo foi tudo o que eu tinha.


Quando precisei de um estágio, ganhar 800 reais por mês não era pouco. Era a diferença entre conseguir pagar as contas ou não. Entre seguir estudando ou ter que parar. Entre sonhar com um futuro ou só tentar sobreviver ao presente. E quando os primeiros repasses dos planos de saúde começaram a cair, eu sabia que era injusto.


Mas, ao mesmo tempo, era o que segurava a minha rotina, o que garantia que eu pudesse continuar. O que, naquele momento, parecia ser o suficiente. Então, como é que eu ia olhar pra isso e dizer “não quero mais”?


Não era sobre capacidade. Era sobre culpa. Sobre sentir que, se um dia aquilo foi o que me sustentou, então deveria continuar sendo. Como se pedir mais fosse cuspir no prato que me alimentou quando eu mais precisei.


Mas o tempo passou. Minha experiência cresceu. Minhas habilidades se refinaram. Meu trabalho se tornou incontestável. E, ainda assim, eu continuava aceitando as mesmas condições de quando comecei.


Eu não tinha percebido que aquela fase tinha cumprido seu papel, mas eu já não pertencia mais a ela. E um dia, quase sem querer, a pergunta veio: “Por que eu aceito tão pouco quando sei que posso mais?”


Foi nesse instante que eu entendi: ser grata pelo que me sustentou não significa que eu preciso me limitar a isso para sempre. E foi aí que a rota mudou.


📌 Às vezes, o mais difícil não é seguir em frente. É perceber que já passou da hora.


Psicóloga Ana Júlia Arantes
CRP 09/19131


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Em Alfama, vamos conhecer a parte mais antiga de Lisboa, com suas ruelas e becos, esta antiga Medina Árabe após a reconquista cristã no Séc. XII a civilização árabe que viveu aqui foi transferida para outra colina e a aí nasceu o Bairro da Mouraria para descobrir Alfama é mergulhar na autenticidade de ser Português. O Fado, a música portuguesa mais típica e carismática, nasceu neste bairro, esta estranha melancolia a que portugueses que chamaram de saudade.

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Quais estereótipos você reconhece nos filmes que assiste? - Por Beatriz Valente no site: https://www.jornalismo.ufv.br/cinecom/os-estereotipos-em-filmes-de-acao/

Imagine comigo: é domingo e você não quer fazer nada além de descansar. Você procura um filme passa assistir e se decide por algum de ação. Qual? Não sei, algum que tenha aparecido ou que você já tinha na lista de interesses. Mas em menos de quinze minutos você já quer desistir do filme – não só porque você já pode adivinhar metade do enredo dele, mas também porque ele sustenta ideais fechados demais para serem minimamente realistas. Às vezes você nem percebe, mas os filmes de ação de Hollywood são apoiados em inúmeros estereótipos.O homem protagonista geralmente é um herói não tão inesperado. Ele é grande, forte e tem muita habilidade física. Inicialmente são reclusos, sempre com um antecedente que o faz se punir. Ao longo do filme resolve seus problemas explodindo coisas e matando pessoas, sem superar o passado. As mulheres raramente são protagonistas e quando são, elas sexualizadas ou usam a sensualidade como arma – como na franquia de 007, Tomb Rider (2001) e Salt (2010). A Arlequina, de Esquadrão Suicida (2016), também traduz bem esse estereótipo. Ela só saiu dessa visão sexista quando a personagem foi dirigida por uma mulher em Aves de Rapina: Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa (2020), quando também se tornou protagonista e foi rodeada por outras mulheres. Mas assim como em Esquadrão Suicida, vários outros filmes de ação têm mulheres como personagem secundário sem muito importância – as franquias de Tranformers e Velozes e Furiosos estão sempre reciclando essa ideia – ou até mesmo as colocando como um troféu do herói – os inúmeros filmes do Homem-Aranha e, novamente, de Tranformers estão aí para provar isso.Há filmes com estereótipos que beiram à xenofobia escancarada. Velozes e Furiosos: Operação Rio (2011) não apenas acumula os estereótipos citados acima, como também mostra a cidade do Rio de Janeiro longe do seu retrato real – a limitando apenas um refúgio para o tráfico de drogas e corrupção. E quando as produções de Hollywood utilizam o filtro amarelo para representar países de terceiro mundo? O México é um dos países que quase sempre é mostrado dessa maneira. Era Uma Vez no México (2003), Traffic (2000), Sicário: Dia do Soldado (2018) e, mais recentemente, Resgate (2020), produzido pela Netflix. Resgate não apenas mostra Bangladesh com o filtro amarelo, como traz o típico white savior, o conceito do salvador branco que os americanos tanto utilizam em seus filmes. O protagonista – que já no início do filme se mostra afastado da sociedade, sendo engolido por uma culpa ainda não explicada – tem o trabalho de salvar um garoto indiano de um traficante de drogas em Dhaka, Bangladesh.Várias produções que se apoiam na xenofobia propagam o preconceito das culturas retratadas. Quantas vezes não vemos nesses filmes de ação o vilão sendo de um país asiático ou do Oriente Médio? Muçulmanos e árabes sendo generalizados como terroristas é apenas uma das consequências de filmes como Vingança ao Anoitecer (2014) e Nova York Sitiada (1998). Quando Nova York Sitiada foi lançada, o porta-voz da American-Arab Anti-Discrimination Committee (“Comitê Antidiscriminação Árabe-Americano”, em tradução livre), Hussein Ibish disse que o filme “é extremamente ofensivo. É mais que ofensivo. Estamos acostumados a ofensas, que se tornaram rotina, mas este filme é realmente perigoso pois reforça estereótipos que levam a crimes de ódio.”

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