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Durante muito tempo me disseram que eu precisava escolher uma só. Uma profissão. Um caminho. Um rótulo. Mas o que ninguém via é que todas essas versões minhas apontavam para o mesmo lugar: comportamento humano.
Nas redes sociais, nas consultorias, na psicoterapia, no marketing, nas aulas, nos conteúdos, nas pós-graduações, no MBA… tudo gira em torno disso. Tudo conversa. Tudo se cruza.
Me disseram que eu precisava parar de fazer tanta coisa ao mesmo tempo. Que isso era demais. Mas o que descobri é que, pra mim, funciona assim. Não estou aqui pra romantizar sobrecarga — sei os meus limites, respeito meu tempo e minha saúde mental. Mas também sei que sou múltipla por natureza.
E me realizo em cada espaço onde posso falar sobre gente, comportamento, consumo, escolhas e possibilidades. Cada coisa que faço me alimenta. Cada projeto meu carrega um pedaço da minha história. E se tem uma coisa que eu aprendi com essa vida de Barbie mil e uma funções é que eu não preciso me encaixar em uma só caixinha quando posso construir o meu próprio cenário. Porque, no fim das contas, tudo isso que parece ser “muito” é, pra mim, uma coisa só: gente. E isso me move.
Ana Júlia Arantes
Psicóloga Clínica
CRP 09/19131
Quando precisei de um estágio, ganhar 800 reais por mês não era pouco. Era a diferença entre conseguir pagar as contas ou não. Entre seguir estudando ou ter que parar. Entre sonhar com um futuro ou só tentar sobreviver ao presente. E quando os primeiros repasses dos planos de saúde começaram a cair, eu sabia que era injusto.
Mas, ao mesmo tempo, era o que segurava a minha rotina, o que garantia que eu pudesse continuar. O que, naquele momento, parecia ser o suficiente. Então, como é que eu ia olhar pra isso e dizer “não quero mais”?
Não era sobre capacidade. Era sobre culpa. Sobre sentir que, se um dia aquilo foi o que me sustentou, então deveria continuar sendo. Como se pedir mais fosse cuspir no prato que me alimentou quando eu mais precisei.
Mas o tempo passou. Minha experiência cresceu. Minhas habilidades se refinaram. Meu trabalho se tornou incontestável. E, ainda assim, eu continuava aceitando as mesmas condições de quando comecei.
Eu não tinha percebido que aquela fase tinha cumprido seu papel, mas eu já não pertencia mais a ela. E um dia, quase sem querer, a pergunta veio: “Por que eu aceito tão pouco quando sei que posso mais?”
Foi nesse instante que eu entendi: ser grata pelo que me sustentou não significa que eu preciso me limitar a isso para sempre. E foi aí que a rota mudou.
📌 Às vezes, o mais difícil não é seguir em frente. É perceber que já passou da hora.
Psicóloga Ana Júlia Arantes
CRP 09/19131
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